Dica de série: The Good Place para manter a saúde mental em dia

Dica de série: The Good Place para manter a saúde mental em dia
NBC/Divulgação

Da Netflix, a série ajuda a manter a saúde mental em tempos de coronavírus e, de quebra, coloca várias questões filosóficas pra gente

“Está com tédio, né, minha filha?”

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Estamos parafraseando Drauzio Varella para dizer que o aborrecimento acomete boa parte das pessoas que estão em quarentena, dentro de casa, obedecendo as recomendações das autoridades de não circular pelos espaços públicos para conter a propagação do novo coronavírus.

Muito bem!

Agora, uma arma para combater os males do isolamento social e fazer a manutenção da saúde mental adequadamente (na medida do possível) é mergulhar em histórias interessantes que propõem uma reflexão a respeito da nossa organização social, da moralidade que resulta dela e da nossa conduta frente ao mundo. Então, nossa recomendação é: The Good Place, da Netflix.

A produção que disputou o Globo de Ouro e o Emmy de melhor comédia conta a história de quatro pessoas que morreram e foram para o paraíso, aqui, chamado “Lugar Bom” (ou “The Good Place”, se você preferir). O desenvolvimento do enredo coloca os protagonistas em diversos dilemas que, aliados a um humor apurado, nos servem de reflexão a respeito da própria existência humana, os nossos propósitos, o que faz de nós o que somos, etc.

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Para mergulhar de cabeça em The Good Place é preciso ter em mente o seguinte: quem é verdadeiramente bom ou mau? o que são boas ações e o que são as más ações? Pois o quarteto que acaba de chegar ao tal paraíso não chegou lá com um currículo limpo, com inúmeras ações divinas realizadas na Terra. Eles merecem estar no céu?

Depois de algum tempo observando o comportamentos e as posturas das personagens a gente consegue facilmente se identificar com elas. Eleanor (Kristen Bell) tem muita dificuldade em lidar com seus próprios sentimentos e isso a prejudica em todas as áreas da sua ‘vida’. Chidi (William Jackson Harper) é incapaz de tomar uma decisão sem hesitar. Tahani (Jameela Jamil) esconde todas as suas inseguranças atrás de uma máscara sólida que dinheiro e poder podem proporcionar. Jason (Manny Jacinto) é incapaz de levar uma única coisa a sério.

A questão a qual eles se deparam é: por que irão passar a eternidade felizes aproveitando os sabores mais absurdos de frozen iogurte? Eles tem consciência de todas as suas ações na Terra, será que irão cair em si e confessar que deve ter havido um engano ao serem levados ao Paraíso?

Para lidar com questões como esta, a série, propositalmente, insere vários conceitos filosóficos das diferentes épocas da história, questões de ética e moral, tratadas por Immanuel Kant, Platão, Aristóteles e Friedrich Nietzsche, por exemplo. Porém, tudo é apresentado de uma maneira simples e acaba auxiliando a progressão da trama.

The Good Place questiona a ideia estabelecida de que “uma pessoa boa merece receber coisas boas”. Eleanor embarca nesse trem, pratica uma série de ações em prol de outras pessoas, mas nada parece funcionar. Até que ela percebe que o mais importante não é a intenção por trás de suas ações, e, sim, a maneira como se relaciona com o outro. Mais importante do que uma relação vazia baseada em boas ações que vem de lugar nenhum são as intenções que criam um vínculo sadio e genuíno.


Hoje, vemos a humanidade ao redor do mundo atravessar uma fase inédita. Ficar em casa por tempo indeterminado acaba se mostrando uma atitude altruísta em tempos de individualismo desenfreado. No entanto, não podemos ignorar o estresse mental que isso pode causar. O preço da ociosidade pode ser deixar a mente ser levada por pensamentos negativos, que culminam na reflexão de como viver em tempos caóticos e incertos. Mas, no final das contas, haverá um resultado positivo: é possível refletir sobre o que foi feito no passado que nos trouxe até o presente, e o que pode ser feito hoje para alterar o futuro em prol de uma sociedade mais justa.

Afinal, uma pessoa realmente escolhe os caminhos que toma ou suas ações são guiadas por uma natureza predeterminada?

Prevendo perguntas como “não existe um lugar médio para o qual podemos ir?” a série abusa do humor e de grandes reviravoltas para tornar temas importantes e até mesmo tabus – como a própria morte – em algo digerível e reflexível.

No final das contas, uma das grandes lições é o quanto somos determinados socialmente, por tudo o que nos cerca, e que só é possível crescer e evoluir coletivamente. O isolamento pelo qual estamos passando escancara o quanto o convívio social é importante para nós. Fica de lição a importância das amizades genuínas que com as redes sociais fica até mais fácil estar pertinho. (Mas como faz falta um abraço, né?).

É só coletivamente que encontramos soluções para as adversidades, individuais ou coletivas. Não há uma resposta para tudo e nós construímos o sentido da vida juntos. Como diz Janet (D’Arcy Carden), uma robô do paraíso, “o prazer está no mistério“.

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As quatro temporadas de The Good Place estão disponíveis na Netflix.


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