Electric Dreams | Ranking dos episódios

Electric Dreams: ranking dos episódios
Amazon Prime Video/Divulgação

Adaptação dos contos de Philip K. Dick

As séries em formato de antologia sempre existiram, desde as mais antigas como Twilight Zone, até as recentes American Horror Story, Easy e Black Mirror. Este formato de série, apresenta diversos episódios com contextos e atores diferentes sem a necessidade de ser assistidos em uma ordem cronológica e contribuem para que diversos autores tragam sua visão sobre um determinado tema.

E é disso que se trata a série britânica Electric Dreams, originalmente do Channel 4, distribuída no Brasil pela Amazon Prime Video. A série é baseada nos contos sci-fi do renomado autor de ficção científica Philip K. Dick (PKD). O gênero é incrível porque possibilita uma leitura aprofundada de uma realidade especulativa, que por mais distante que possa estar, diz muito sobre o nosso modo de vida. As histórias buscam provocar reflexões quanto aos impactos gerados no futuro resultados da interação da sociedade com a tecnologia.

A partir disso, o autor explora temas filosóficos, políticos e sociais em uma realidade alternativa. A genialidade dos textos de Dick tem relação com a sua contemporaneidade, mesmo nos textos escritos em 1956, a ideia central se preserva na série, a partir das adaptações feitas pelos roteiristas e produtores.

O formato antológico nos permite observar cada episódio isoladamente. Como fãs de ficção científica, organizamos os episódios de acordo com a leitura que temos do mundo e a catarse gerada por cada capítulo de Eletric Dreams. Confira!

10. Autofac

Janelle Monáe em 'Autofac', Electric Dreams/Amazon Prime/Divulgação
Janelle Monáe. (Electric Dreams/Amazon Prime/Divulgação)


O segundo episódio da série foi um dos que mais sofreram alterações em relação à história original de Phillip. No futuro com o colapso da sociedade, uma fábrica automática continua a operar de acordo com os princípios do consumismo. Um pequeno grupo de rebeldes decide fechar a fábrica e reivindicar a liberdade e o livre arbítrio, entretanto eles começam a descobrir que talvez sejam consumidores ideais. Apesar de sua direção pessimista, o conto não vilaniza os robôs, mas sim os transformar em esperanças da humanidade. A narrativa parte de um lugar comum opondo humanos X Inteligência Artificial, mas a grande sacada de Autofac é seu potencial reflexivo a respeito do curso da história e suas consequências para a sociedade.

No entanto, o episódio não se aprofunda na construção dos personagens e não consegue estabelecer uma crítica concreta em relação ao consumismo desenfreado que levou a construção de uma fábrica que se auto gere. Apesar da reviravolta do final, a narrativa pode acabar se tornando previsível para os mais atentos.

9. Crazy Diamond

Crazy Diamond, Electric Dreams/Amazon Prime/Divulgação
Fonte: Amazon Prime/Divulgação

O episódio mais colorido de toda série, Crazy Diamond, é uma aventura psicodélica, onde os “sonhos elétricos” do autor PKD tomam conta da tela.

Ed Morris (Steve Buscemi) é casado com Sally (Julia Davis), moram juntos em um cenário paradisíaco e futurista, e enquanto Sally cuida da casa, Ed é um engenheiro que produz uma espécie de “consciências quânticas”. Não sabemos aonde estamos, e em que época estamos; a que ponto nossa tecnologia evoluiu e até mesmo o que do que o episódio se trata exatamente, restando assim cores e sensações como os nossos guias.

Um belo dia, uma mulher sintética chamada Jill aborda Ed com um plano ilegal e ele decide ajudá-la. O episódio é muito mais imaginativo o que pode tornar difícil a compreensão dos acontecimentos na trama. Uma sensação de estranhamento percorre todo o capítulo e tudo parece tão bagunçado que somente a reflexão final faz com que seja possível encontrar um sentido para tanta informação.

8. Impossible Planet

Impossible Planet, Electric Dreams/Amazon Prime/Divulgação
Fonte: Amazon Prime/Divulgação

Dois funcionários cansados ​​do turismo espacial atendem ao pedido de uma mulher idosa para uma viagem de volta à Terra – um planeta que perdeu toda a vida devido a um “incêndio solar” catastrófico. Apesar da existência da Terra ser um mito, eles decidem aplicar um golpe na confusa senhora, uma vez que ela se propõe a pagar uma grande quantia para ter seu desejo realizado.

Existe um filme brasileiro chamado “A História da Eternidade” que pode vir à mente quando assistimos à “Impossible Planet“. Em uma de suas cenas mais marcantes, Dinho, o tio, promete levar Afonsina, sua sobrinha, ao mar como presente de aniversário – algo que parece impossível dentro das condições deles. No dia seguinte, eles caminham por certo tempo, até um lugar alto, no meio do nada. Ele pede que ela feche os olhos e começa a narrar o mar ao mesmo tempo que compõe sua presença de forma sensitiva, trazendo sons e sensações. Depois, ele pede que ela abra os olhos e enxergue o mar, e, embaixo de um sol muito quente e em frente ao que parece sem vida, ela o faz. Mesmo que nunca tenha o visto de perto, aquele é o mar, ou pelo menos o seu mar.

O segundo episódio de Electric Dreams segue a mesma estrutura narrativa. a mesma lógica humana aplicada a tantas situações. O que acreditamos se tratar algo (amor, por exemplo), assim o é por conta de nossa imaginação, de nossa teimosia ou tantos outros fatores. A imaginação vem do que a mente projeta como real.

Voltando ao episódio, durante o percurso da viagem, eles passam a se questionar sobre seus atos e enfrentam uma enorme mudança de planos. A ideia de uma Terra extinta trás à mente vários reflexões, inclusive em relação aos inúmeros impactos ambientais.

7. Father Thing

Father Thing, Electric Dreams/Amazon Prime/Divulgação
(Fonte: Amazon Prime/Divulgação)

Charlie é um jovem garoto que admira muito seu pai. Após um final de semana acampando com ele, o menino passa a notar que o pai está se comportando de maneira estranha e passa a acreditar que os humanos estão sendo substituídos por aliens. A premissa do episódio é recorrente no contexto da ficção científica, mas ao longo do episódio os temas abordados nas entrelinhas enriquecem a história.

Os pais de Charlie estão em processo de separação e a ideia de que o pai é um alienígena é uma metáfora incrível para como uma criança lida com situações que ela não compreende. para a forma como uma criança pode construir para lidar com assuntos ainda mal compreendidos.

Amadurecer é algo complicado. De repente crescemos, e alguém ou aquilo que nos parecia bom já não é mais. E como agir nesta situação?

6. Human Is

Human Is, Electric Dreams/Amazon Prime/Divulgação
(Fonte: Amazon Prime/Divulgação)

Em 2055 a Terra está morrendo, praticamente não há vida e o ar está sufocante. Os (supostamente) poucos humanos sobreviventes estão relegados à vida subterrânea (o labirinto), enquanto o Estado desfruta do conforto de uma cápsula e dele resta a esperança de, na exploração de outros planetas, encontrar a substância fundamental para a sobrevivência.

Uma mulher em um relacionamento abusivo e sem amor, num futuro distante, vê seu marido, um general galáctico, voltar um homem diferente depois de partir em uma missão para o perigoso planeta Rexor IV para a coleta da tal substância.

Só que o foco de “Human Is“, como o próprio título nos diz, são os seres humanos. Melhor dizendo, “o que nos faz humanos”. E certamente esta é a pergunta que transcende qualquer obra de PKD. Em nenhum momento, o escritor esconde o motivo por trás dessa mudança de Silas, pelo contrário, somente usa de tal motivo como um trampolim pra discussão da trama sobre a natureza humana e sobre o que realmente importa. “Human Is” vale pela jornada.

5. Real Life

Real Life, Electric Dreams/Amazon Prime/Divulgação
(Fonte: Real Life, Electric Dreams/Amazon Prime/Divulgação)

O questionamento sobre a realidade é tema recorrente no mundo sci-fi. O primeiro episódio traz a ideia de uma realidade virtual que não afasta o jogador dos medos e angústias do mundo real. Anna Paquin interpreta a personagem Sarah, uma policial do futuro que se culpa por uma tragédia passada, ela então aceita a sugestão de sua esposa e decide tirar férias em uma simulação virtual.

Os questionamentos em torno de sua realidade fazem o sofrimento da personagem principal algo concreto e nos leva a questionar com ela o que acontece. As reflexões em relação aos sentimentos humanos, principalmente a culpa, fazem deste um episódio incrível.

4. Safe And Sound

Safe And Sound, Electric Dreams/Amazon Prime/Divulgação
(Fonte: Safe And Sound, Electric Dreams/Amazon Prime/Divulgação)

A jovem Foster Lee, moradora de uma cidade pequena sem tecnologia, chega com sua mãe a uma cidade futurística. Filha da rebelde Irene que é contra o uso de tecnologia como controle do estado com slogan de segurança, Foster é o oposto da mãe e busca se encaixar nesse contexto tecnológico.

O episódio traz inúmeras críticas em relação a paranoia de segurança e a ideia de um controle estatal e a falta de comunicação entre pais e filhos, além de mostrar como os abusos psicológicos funcionam como formas de manipulação.

3. The Hood Maker

The Hood Maker, Electric Dreams/Amazon Prime/Divulgação
(Fonte: The Hood Maker, Electric Dreams/Amazon Prime/Divulgação)

Hum… Rob Stark tá diferente...

Neste episódio, o ator Richard Madden interpreta um agente de polícia em um mundo sem tecnologia avançada, onde telepatas mutantes (Teep) se tornaram o único mecanismo da humanidade para a comunicação de longa distância.

Quando um grupo de rebeldes passa a fabricar capuzes que bloqueiam os Teeps, o Estado passa a investigar o caso. O episódio aborda a telepatia como uma maldição, a ideia de inúmeras vozes em sua cabeça, como essa condição é dolorosa física e psiquicamente, além de discutir a ideia de não existir uma privacidade para pensamentos, vivências e a elaboração das perspectivas individuais.

A narrativa discute também as relações humanas de uma maneira crua, estamos juntos porque confiamos em que está perto de nós de uma maneira quase cega, pois não sabemos o que o futuro reserva. A obra do pintor surrealista René Magritte, Les Amants, aparece como um reflexivo easter egg no episódio.

2. Kill All Others

Kill All Others, Electric Dreams/Amazon Prime/Divulgação
(Fonte: Kill All Others, Electric Dreams/Amazon Prime/Divulgação)

No ano de 2054, como esperamos, nossa realidade é dominada por um sistema de transporte totalmente autônomo, casas populares que funcionam por comando de voz, telas enormes em todas as partes, e propagandas invasivas holográficas chegando ao ponto de invadir até nosso banheiro. Nada muito surpreendente. Mas também certas coisas nunca mudarão.

Philbert Noyce (Mel Rodriguez) é um típico morador do subúrbio que acorda cedo todos os dias, escova os dentes, toma o seu metrô e bate ponto no trabalho, uma espécie de metalúrgica automatizada em Mexican. Algo como se o sonho dos EUA tivesse se tornado realidade com a América virando um só país, uma meganação unipartidária que numa propaganda política bem esperta traz o “can = podemos” em seu nome, transformando o nome da nação em um grito nacionalista.

Este é o episódio mais realista de toda a temporada. A narrativa aborda a naturalização da violência, a crise da democracia e como questionar a realidade pode tornar você uma ameaça. Além disso, mostra o prazer da ignorância coletiva e como falar a verdade não é uma tarefa fácil, mesmo se ela está na frente dos olhos.

São inúmeras as reflexões geradas a partir do episódio, pois apresenta o que vemos nos noticiários partindo para um futuro melancólico e trágico. Talvez uma das trama mais assustadoras por ter raízes muito próximas às nossas.

1 – The Commuter

The Commuter, Electric Dreams/Amazon Prime/Divulgação
(Fonte: The Commuter, Electric Dreams/Amazon Prime/Divulgação)

O ator Timothy Spall (o Rabicho em Harry Potter1), interpreta Ed, funcionário de uma estação de trem que tem sua monótona rotina desestruturada graças a descoberta de que vários passageiros estão desembarcando em uma cidade que não deveria existir.

O que você faria se uma realidade alternativa lhe proporcionasse uma vida sem a trágica veracidade da vida real? Você sacrificaria alguém para obter essa felicidade? As relações humanas são construídas a partir do desconhecido, quanto mais se aprofunda em uma relação, mais desprotegido e propenso à dor ficamos.

O 9° episódio da série conquistou o primeiro lugar em nossa lista, justamente pela forma crua que retrata condições humanas mais cotidianas como relacionamentos conjugais, a sufocante rotina que nos rodeia e até mesmo os transtornos mentais. Se quiser escolher um episódio para embarcar nessa viagem de Electric Dreams, escolha “The Commuter”, não irá se arrepender.


Channel 4/Amazon Prime Video/Sony Pictures Television/Divulgação

Convidamos você a assistir essa série e a vislumbrar essa adaptação incrível. É claro, também leia a obra original e mergulhe nesse imenso universo da literatura sci-fi. Faça seu ranking dos episódios e conta pra gente na página do Ninfacrocodilo no facebook!

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