Dumbo – Crítica – Uma história adorável e melancólica

Dumbo/Walt Disney/ Reprodução
Dumbo/Walt Disney/ Reprodução

Nesta quinta-feira (28/03), estreou a adaptação de um dos clássicos mais adorados da Disney. Com direção de Tim Burton, o novo filme muda os moldes da história original sem perder todo o encanto.

O enredo conta a história de um circo que está a beira da falência e, para tentar se tornar um sucesso novamente, o dono, Max Medici (Danny DeVito), compra uma elefante que está grávida. Ele espera que os dois elefantes sejam a nova atração do lugar. No entanto, quando o filhote nasce, Medici e todos os outros se dão conta de que ele é diferente, tem orelhas bem maiores que o normal. Numa tentativa de desfazer o negócio com quem vendeu a elefante, Sr. Medici acaba revendendo a mãe do elefantinho esquisito. A partir de então, a narrativa vai girar em torno da problemática de recuperar o animal que os irmãos Farrier tomam para si. Milly e Joe Farrier descobrem que o filhotinho tem uma habilidade muito incomum e que pode ajuda-los a conseguir a mãe elefante de volta. Com suas grandes orelhas, ele pode voar! Os dois irmãos o treinam para isso com uma pena.

Dumbo/Walt Disney/ Reprodução

As coisas começam a ficar mais complicadas quando Vandevere (Michael Keaton), dono de uma grande atração em Nova York chamada Dreamland, aparece na trama e deseja a todo custo ter o elefante voador no seu espetáculo. Para isso, ele oferece uma sociedade entre o circo falido e seu grande complexo de atrações. Medici, inocentemente aceita a proposta e todos se mudam para a grande metrópole.

Como na animação, Dumbo é adoravelmente atrapalhado. A personagem carrega consigo uma tristeza tão profunda que denota um tom melancólico para a história e, de certa forma, a torna mais madura e menos lúdica do que o desenho animado.

Claro que, com a direção de Tim Burton, todos os elementos mágicos do original são inseridos na série de maneira sutil, buscando uma verossimilhança e de maneira que a nossa suspensão da descrença se mantenha inabalada.

O longa trás várias inovações no roteiro

A animação de 1941, tinha como ponto central para a narrativa personagens animais que interagiam e faziam o show acontecer deixando as personagens humanas como meras caricaturas. Já no live action, parece ter sido dado aos animais um tom mais próximo da realidade crível, eles já não falam e a grande parte dos conflitos apresentados pela narrativa está destinado para os coadjuvantes humanos da trama. Os conflitos humanos, como reflexo dos conflitos que a personagem de Dumbo enfrenta, se tornam a base para o desenvolvimento da narrativa.

Outro ponto interessante da adaptação, é que a personagem do ratinho que acompanha Dumbo na animação foi dividida entre outras quatro personagens no longa de Tim Burton: Milly Farrier, Joe Farrier, Holt Farrier e Colette Marchant. Elas identificam-se com Dumbo de diferentes maneiras e, cada uma a seu jeito, vai tentar ajudar o elefante a recuperar a mãe. Esse paralelo entre o paquiderme e os humanos foi uma escolha acertada de roteiro para dar mais camadas à história. Os irmãos Farrier, que cresceram no circo, mas recentemente perderam a mãe e precisam lidar com o retorno do pai que estava na guerra, se aproximam do drama de Dumbo que precisa lidar com essa rejeição ao diferente que impregna a nossa sociedade e também sofre com a falta da mãe que foi afastada.

Alguns problemas narrativos

As personagens humanas não são muito bem desenvolvidas, elas não conseguem cativar, nem mesmo os irmãos Farrier que muitas vezes caem na caricatura de crianças precoces mimadas. Michael Keaton (Vandevere) e a Eva Green (Collete Marchant) conseguem segurar as pontas do roteiro e dão um show de atuação e convencem bem dentro das suas linhas de narratividade, mas não podem dar conta do filme todo…

Além disso, quando a história está caminhando para seu ápice e desfecho, diversas vezes, os roteiristas insistem em deixar as decisões dos personagens humanos muito “cartunescas” e sem uma justificativa plausível para tal. Por exemplo, (OLHA O SPOILER!) quando Vandevere tenta impedir a fuga de Dumbo e religa toda a energia do parque mesmo sendo avisado de que isso causaria sobrecarga. Resolução: o lugar todo pega fogo.

Dumbo/Walt Disney/Reprodução

Visualmente o filme é de encher os olhos e apesar de alguns problemas a gente sai da sala do cinema com aquele quentinho no coração. Não é para ser uma história sobre como um animalzinho diverte crianças e adultos, como o original de 1941. Antes disso, é um relato sobre respeito, sobre aprender com o outro e honrar as suas necessidades, e são essas coisas que constroem os laços de amizade e companheirismo no longa.

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