Mentiras Perigosas | Crítica do filme

Crítica do filme Mentiras Perigosas
Netflix/Divulgação

Assistimos ao novo filme da Camila Mendes! E aí, é bom?

Thrillers de baixo orçamento parecem estar se popularizando na Netflix. Quem abriu caminho para o gênero foi Obsessão Secreta, filme com a Brenda Song no papel principal, lançado no final do ano passado.

Mentiras Perigosas segue o mesmo caminho do psico-thriller pioneiro: temos um casal e alguma coisa parece errada quando seus problemas com dinheiro são resolvidos depois que Katie (Camila Mendes) recebe uma herança de um senhor (chamado Leonard, interpretado por Elliot Gould, único realmente à vontade no papel) de quem ela cuidava.

Na primeira cena do filme, vemos Katie e Adam (Jessie T. Usher) testemunhando um assalto na lanchonete onde ela costumava trabalhar antes de se tornar cuidadora de idosos. Adam acaba conseguindo impedir o assaltante e, quatro meses depois está lidando com as consequências disso. (Quais são elas? Nunca entenderemos bem… Afinal são mentiras perigosas).

O título estranho e duvidoso nos ajuda a entender o que esperar aqui. O filme acaba sendo aquele tipo de suspense genérico que a gente costumava encontrar nas prateleiras de baixo de uma locadora (lembra delas?) e que a gente acabava escolhendo quando os filmes que queríamos já estavam alugados. Tendo isso em mente, Mentiras Perigosas é perfeitamente aceitável, uma perda de tempo gostosinha com um filme que tenta manter sua história sólida, que alimenta suas revelações com habilidade suficiente para nos manter interessados. Até que o momento em que o filme assume de vez sua falta de seriedade ao construir personagens inteligentes tomando várias decisões estúpidas e, desse jeito, forçando tanto a nossa suspensão de descrença que beira o insustentável.

As terríveis escolhas das personagens e a falta de justificativas para elas acabam tensionando tanto a nossa imersão na história que a entrega de pequenas detalhes cena após cena passa despercebida e culmina em surpresas que nem são tão surpreendentes assim.

Um dos grandes problemas do longa de Michael M. Scott é a falta de ousadia e consistência da história que deseja contar. Ao mesmo tempo que nos primeiros 10 minutos de filme nos interessamos com as possibilidades que são apresentadas para nós, como um assalto e um herói, um casal com problemas financeiros que acabam interferindo na relação e depois uma morte estranho que culmina em uma herança inesperada. Nos minutos seguintes, vemos cada uma das nossas expectativas se desfazerem diante dos nossos olhos com causas e consequências ilógicas.

A familiaridade do título, da premissa e do elenco, com certeza, vai ajudar a trazer números interessantes de audiência. Mas eu só queria que essas mentiras tivessem sido um pouco mais perigosas…


Netflix/Reprodução

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