Sonic: O Filme | Crítica

Sonic: O Filme | Crítica
Divulgação/Paramount Pictures

Longa aposta na simplicidade e não depende de um enredo mirabuloso para ter sucesso

O primeiro trailer de Sonic: O Filme foi divulgado em abril do ano passado e deixou a internet revoltada. Não era para menos, o visual do ouriço azul parecia inacabado e desleixado. No entanto, a Paramount e a Sega atrasaram a estreia do longa em alguns meses e refizeram o personagem.

O resultado desse longo processo foi um Sonic mais amigável e que combina com o clima despretensioso do filme, muito mais próximo dos cartoons e dos jogos. O filme aborda temas como amizade e família de uma maneira leve através de uma história simples e divertida que tem o poder de aquecer nossos corações nostálgicos.

Os filmes que adaptam franquias de videogame costumam ser polêmicos, ainda mais quando tentam transportar paras as telonas a história de um determinado universo do jogo. Mas Sonic não tem esse objetivo e por isso acerta em cheio.

No filme, essencialmente um road movie, o ouriço azul quer aproveitar tudo o que a vida pode oferecer antes de usar um anel-portal e se mudar para outro mundo, já que um certo vilão aliado ao governo está na sua cola. Isso significa brigar com motoqueiros, aprender passinhos de country, ir à feiras típicas de uma região, o pacote completo.

A trama se passa em Green Hills, uma cidade fictícia, e também em São Francisco – que já serviu de cenário para um dos games, ambas nos Estados Unidos. Do universo da franquia de jogos, temos o próprio Sonic (com voz original de Ben Schwartz) e seu arqui-inimigo, Dr. Robotnik (Jim Carrey), algumas referências para os fãs dos jogos (até alguns memes foram incluídos), mas é só. O diretor Jeff Fowler optou por contar uma história majoritariamente independente das regras criadas no mundo dos games da franquia, e o resultado é um filme que pode agradar tanto o público que já conhece o mascote da Sega, quanto aqueles que nunca tiveram contato com os games.

A história é centrada na construção da amizade entre o ouriço-alien e um policial humano de uma cidade bem pequena, o enredo aposta na simplicidade para alcançar um público mais amplo e, ao invés de colocar o dupla de protagonistas para lidar com uma grande ameaça mundial, o foco é bem menor e muito pessoal.

De certa forma, somos apresentados a uma história de origem e vemos que Sonic está em uma fuga eterna para esconder seus poderes e, assim, permanecer a salvo. É claro que isso se torna cada vez mais difícil, a crescente sensação de solidão vai crescendo progressivamente e nos deparamos com pequenas ações de tentativas de interação do personagem com o mundo. Sonic assiste alguns filmes da janela da casa do policial, mas sem ser notado, o ouriço também faz todos acreditarem que um dos moradores da pequena cidade é louco, entre outras coisas. Uma vez descoberto, ele começa a ser procurado e é aí que sua amizade com o policial Tom (Jason Marsden) começa.

É fácil se relacionar com a história, já que os temas tratados são tão genéricos e universais. O que acaba dando ao longa uma personalidade inesperada e não tem a ver com os jogos é a atuação de Jim Carrey como Robotnik e também o humor que envolve os outros personagens que não são o Sonic…

Sonic: O Filme não é uma aventura grandiosa, não possui grandes referências dos games no enredo, mas os elementos nostálgicos são encontrados ao longo das cenas, nos cenários, na trilha sonora que não passa despercebida com versões alternativas das músicas dos jogos e no clima geral da história. É filme divertido que não se atém a uma construção de personagens tão profunda, nem mesmo a construção de um universo, mas isso não é necessário! Saímos da sessão com o coração quentinho e com o ‘alô’ dado à nossa infância sendo compartilhado com outras gerações mais novas.


Sonic: O Filme
Nome original: Sonic the Hedgehog
Ano: 2020
País: Estados Unidos, Japão
Classificação: Livre
Duração: 99 min
Direção: Jeff Fowler
Elenco: Tika Sumpter, James Marsden, Jim Carrey, Ben Schwartz


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