Game of Thrones: S08E01 Comentado

Game of Thrones/HBO/Reprodução
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O legado de Game of Thrones, com certeza, vai perdurar por muitas gerações. O impacto que a séria causou na cultura pop e em todo o meio do entretenimento é inegável. Uma série que dura em torno de uma década leva muita evolução consigo. Desde as personagens e os atores que as interpretam, como também, todo um contexto sócio-histórico sofre o seu impacto. A maneira como nós assistimos as sérias também foi influenciada: milhares de fóruns onde os fãs podem interagir e comentar cada detalhe foram criados, a dinâmica entre a mitologia da série e dos livros proporciona uma tensão muito interessante de ser estudada e sem falar nas milhares de teorias que surgem episódio a episódio, página a página. Mas enfim, vamos comentar esse primeiro episódio da última temporada logo!

Abertura

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Logo na abertura, já podemos perceber várias mudanças. Toda a apresentação foi revista e somos apresentados a uma narrativa mais condensada. O conceito é o mesmo, mas há atualizações importantes. Talvez seja possível tirar algumas ideias de possíveis acontecimentos que estão por vir, ou simplesmente nos lembram histórias que já aconteceram. Como a narrativa da confecção do escudo de Aquiles no canto XVIII da Ilíada, as imagens no mecanismo apresentado na abertura também nos narra um história.

A primeira ilustração que vemos é a de um dragão queimando a muralha de gelo. Na sequência, a cena muda para o panorama do mapa de Westeros, e nos mostra uma muralha destruída. O caminho até a casa Umber, uma casa aliada à casa Stark, torna-se de gelo.

Na imagem seguinte, vemos uma cabeça de lobo arrancada, um lobo enforcado e um leão à espreita, observando. A câmera nos guia pelo mapa até Porto Real e, de cima, podemos ver o mapa que Cersei pediu que fizessem de todo o continente. Vemos também a arma que foi feita para matar os dragões e um dragão à sua frente. A câmera segue rapidamente mostrando o trono de ferro e a bandeira Lannister ainda pairando sobre ele. Por fim, a terceira e última cena forjada na estrutura de ferro é a de dragões lançando fogo sobre um exército.

Episódio

O episódio começa em Winterfell com uma criança correndo, o que nos lembrando Arya quando era pequena. Todos da cidade estão aguardando a chegada de alguém, todo mundo parece desconfiado e com “cara de não muitos amigos”. No meio do corredor, vemos os soldados do exército dos imaculados marchando e, finalmente, surgem Jon e Daenerys. Jon diz para ela que “os nortenhos não confiam em estrangeiros”, justificando a recepção um tanto hostil. Vale lembrar que a cena é bem parecida com aquela da primeira temporada, onde a chegada dos Lannisters e Baratheons acaba desencadeando uma série de acontecimentos terríveis para o povo do norte. Para deixar ainda mais clara a referência ao episódio na primeira temporada, a série toca um trechinho da música “The King’s Arrival”, trazendo nostalgia e temor. De cima, os dragões sobrevoam Winterfell.

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Este é um episódio que introduz o começo do fim. Para tanto, vemos os inúmeros núcleos de narrativas extremamente afunilados. Nesta temporada, várias tramas irão se encontrar para buscar um desfecho e, para isso, diversos encontros e reencontros serão necessários.

O primeiro deles é o de Bran e Jon Snow, ambos não se veem desde que Snow partiu para a patrulha da noite. Na mesma cena, Jon reencontra Sansa que havia permanecido em Winterfell com a responsabilidade de tomar conta do norte durante o encontro com Daenerys. Na mesma cena, Sansa e Daenerys se conhecem. Interrompendo protocolos e estranhezas, Bran informa que o Rei da Noite possui o dragão de Daenerys que foi morto na temporada anterior em uma expedição para capturar um white walker para levar até Porto Real. O irmão de John, informa também que a muralha de gelo foi derrubada e os mortos, agora, marcham em direção ao sul.

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Sansa convoca as casas aliadas em uma assembleia. Tal cena parece servir para nos mostrar a desconfiança que as casas do norte têm em relação a uma rainha Targaryen. A pequena e durona Lyanna Mormont, questiona os títulos de Jon, ela afirma que o povo do norte o elegeu como soberano e que, ao partir ao encontro de Daenerys, ele abre mão e nomeia uma nova rainha. Tyrion interrompe e afirma que sem eles o norte iria sucumbir, ele reitera que a rainha possui o maior exército já visto e ainda tem dois dragões e trouxe toda a sua força para combater ao lado dos nortenhos. Ele termina sua intervenção declarando que o exército Lannister também está a caminho para ajudar, o que só desperta maior desconfiança. Por fim, Sansa lembra que não há suprimentos suficientes para o maior exército do mundo e mais dois dragões.

O segundo encontro, é o de Sansa e Tyrion. Eles não se viam desde o casamento de Jofrey e Margery quando o rei foi morto. Esta é uma das cenas mais importantes para a personagem Stark porque nos mostra todo seu crescimento. A conversa dos dois enfatiza também o quanto a personagem de Peter Dinklage ficou limitada na temporadas mais recentes. Tyrion diz que muitos subestimaram Sansa, mas agora a maioria deles está morta. Lady Stark responde já ter considerado o Lannyster a pessoa mais esperta de Westeros, no entanto agora ele parece tolo acreditando que Cersei irá lutar a seu lado, ela ressalta que Cersei não irá para o norte.

O próximo encontro é o de Arya e John, eles não se veem também desde a partida de John para a patrulha, quando ele deu à irmã uma espada, chamada ‘agulha’. Este encontro é marcado pela questão de lealdade entre a família. Para quem não lembra, os dois sempre foram muito próximos, Arya era a única Stark que verdadeiramente aceitava Jon e o mesmo era recebido dele, só ele acreditava e validava os anseios de uma pequena Arya que não desejava se tornar uma lady. Arya e John conversam sobre Sansa não gostar de Daenerys, e, segunda Arya, Sansa é a pessoa mais sábia que ela conhece. As duas irmãs deixam claro para Jon Snow que a visita da rainha Targaryen representa um certo perigo para o Norte. Não se trata de um intriga pessoal, mas para Lady de Winterfell, assim como outros personagens, a união de Jon e Dany é algo complicado e potencialmente perigoso para o modo de vida no Norte.

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Neste momento, a irmã Stark tem preocupações maiores, mas não seria coerente para a trama ela aceitar prontamente a forasteira. Sansa, em seu arco de desenvolvimento, já sofreu muito e sua atitude reflete esse amadurecimento há muito esperado.

O foco narrativa se desloca, então, para Porto Real, onde Cersei recebe a notícia de que os mortos atravessaram a muralha. Vemos ao fundo da cena que Euron Greyjoy trouxe para a rainha Lannister a Companhia Dourada como havia prometido. Em um dos navios, Yara prisioneira diz para seu tio que ele escolheu o lado perdedor. Euron responde que irá então com a frota para outro lugar depois que se deitar com a rainha.

Há ainda o “grande acordo” entre os irmãos Lannisters que não foi revelado, mas Tyrion já deixou claro que envolve o filho que Cersei está esperando. No entanto, até o momento não foi possível afirmar que Cersei está realmente grávida. Mas, partindo do encontro íntimo entre ela e Euron Greyjoy, talvez a rainha tenha encontrado uma forma de fazê-lo acontecer de fato.

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Paralelamente, Cersei, através da mão da rainha, oferece a Sor Brown recompensas em troca de que ele mate seus dois irmãos traidores casos eles sobrevivam ao ataque no norte.

Theon resgata Yara (ela bate nele, mas parece que está tudo certo entre os irmãos Greyjoy!). Ela deseja recuperar as ilhas de ferro, caso Daenarys precise de abrigo, “um lugar onde os mortos não consigam chegar”. Mas Theon quer ir à Winterfell lutar ao lado dos Stark. Ele vai ter de encarar todos os Stark e se redimir dos erros que cometeu. Yara permite que ele vá.

Já em outra cena, Verys, Tyrion e Sor Davos observam Jon e Daenerys caminhando em Winterfell. Sor Davos sugere que pela primeira vez na história os Sete Reinos podem ser governados por uma mulher justa e um homem honrado. Todos acreditam que os dois seriam bons governantes, mas Varys alerta que eles são jovens e embora ouçam os conselhos dos mais experientes, utilizam este respeito para os manter afastados.

Jon e Daenerys vão checar os dragões, pois eles estão comendo pouco. Daenerys monta Drogo e sugere que o Snow tente subir em Rhaegal. Interessante o roteiro escolher este momento para Jon montar um dos dragões e não em um momento de maior histeria, como uma batalha ou um ataque. Nos mostra certa preocupação em fazer com que os fatos sejam um consequência de outro. Apesar de todos os espectadores já saberem de que o Snow é, na verdade, Targaryan, é importante que estas pistas sejam deixadas para que, ao final do episódio, tenhamos um enredo bem amarrado.

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Vários dos acontecimentos mostrados neste episódio acabam nos levando a um ponto central: os conflitos familiares, ou a “roda” de aristocracia que Daenerys diz estar em busca de quebrar. Entretanto, o que se mostra agora é justamente mais um conflito familiar, pois uma vez que Jon é Targaryan de nascimento e Stark de criação cabe a ele decidir qual dos nomes levará consigo. Se decidir assumir sua ascendência Targaryan, ele pode unir os Sete Reinos, inclusive as casas aliadas dos Stark que desconfiam da mãe dos dragões. Porém, ao seguir essa alternativa, ele se coloca em oposição a Daenerys, por isso quando Sam chega nas Criptas para dar a notícia a ele, Jon declara que isso pode ser considerado traição. Qualquer que seja sua decisão, Jon tem responsabilidade com os rumos da história de Westeros.

Mas, voltando aos acontecimentos do episódio. Temos ainda um quarto encontro, que é duplo, entre Arya e Cão e Arya e Gendry. A menina pede que o velho amigo lhe faça uma arma específica. Gendry está trabalhando na forja de armas com o vidro de dragão que Jon trouxe de Pedra do Dragão.

Em outra cena, Sansa e Jon conversam em particular. A todo momento, Snow nega a coroa que lhe deram e até mesmo o título de rei do norte. E, neste diálogo com a irmã, isso transparece ainda mais. Tal discurso pode vir a servir para o arco da personagem de Jon Snow que está em desenvolvimento, porque quando ele descobrir quem realmente é e o nome que carrega consigo, a perplexidade vai ser enorme. Não só de Jon, mas de todos os nortenhos com suas aversões justificadas historicamente. Sansa questiona Jon sobre a natureza de sua reverência para Daenarys, se este teria sido um ato pelo Norte ou por amor à rainha. Há muito tempo, Jon perdeu sua amada Ygritte e agora pode vir a perder Daenerys por conta das disputas de poder. Como Meistre Aemon já havia dito “o amor é a morte do dever” e os homens Stark já tomaram decisões estrategicamente questionáveis por conta do amor.

Na sequência, Daenerys e Jorah procuram por Sam para agradecê-lo por salvar a vida de um amigo quando ninguém mais poderia (ou quis). A mãe dos dragões oferece recompensa, ao passo que Sam diz que precisará de perdão por ter pego alguns livros da Cidadela e por ter roubado uma antiga espada de sua família. Ao mencionar o nome de sua casa, a rainha se dá conta de que assassinou o pai e o irmão de Sammuel Tarly.

Sam, claramente abalado com a notícia, se retira e é quase atropelado por uma carroça. Do lado de fora, ele encontra Bran que diz estar esperando um velho amigo. O irmão Stark, diz que Sam deveria contar para Jon o que eles descobriram, pois chegou a hora. Sam caminha até as Criptas, relata para o amigo o que descobriu sobre seu pai e irmão e, finalmente, conta para Jon que ele nunca foi um bastardo, mas sim Aegon Targaryan, o sexto de seu nome, fico de Lianna Stark e Raegar Targaryan.

O episódio se encaminha para o fim, a ação se desloca para os sobreviventes da muralha. Eles estão no castelo dos Umbers, onde tudo está destruído. Os homens encontram o filho dos Umbers preso a uma parede junto com braços, pernas e mãos de outras pessoas, formando o símbolo dos filhos da floresta.

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O rei da noite já passou pelo castelo da primeira família depois da muralha, os homens da patrulha da noite precisam se apressar para conseguir ultrapassar os white walkers e seu exército para alertar Winterfell do combate iminente.

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Por fim, Jaime chega a Winterfell e logo de cara encontra Bran. Da última vez que os dois se viram, o Lanninster lançou o garoto de cima de uma torre.

Em uma temporada final, com pouquíssimos episódios não há muito o que enrolar e histórias a desenvolver. A trama precisa ser encaminhada para um desfecho. Ainda assim, este primeiro episódio acerto em iniciar uma história de conclusão e dar continuidade para conflitos anteriores. É importante lembrar que algumas cenas foram bem dolorosas, como a de Daenerys e Sam. As personagens precisam estar em lugares estratégicos para a chegada do Rei da Noite. E, para quem estava com saudade dos dragões, este foi um prato cheio.

Game of Thrones é transmitida aos domingo na HBO e uma hora após o episódio ir ao ar, eles são disponibilizados no serviço de streaming HBO Go.

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