Viola Davis, Sterling K. Brown e outros artistas se unem em carta aberta contra o racismo na indústria do teatro

Viola Davis, Sterling K. Brown e outros se unem em carta aberta contra o racismo na indústria do teatro
Divulgação

Sandra Oh, Lin-Manuel Miranda e Uzo Aduba também estão entre os nomes que assinaram a carta

Centenas de atores se uniram em uma carta aberta dirigida aos líderes da indústria teatral nos EUA, denunciando práticas que reforçam a estrutura racista e que perpetuam o privilégio branco.

Atrizes e atores, incluindo Sterling K. Brown (This is Us), Viola Davis (How To Get Away With a Murder), Katori Hall (dramaturga e jornalista), Lin-Manuel Miranda (His Dark Material), Lynn Nottage (dramaturga), Leslie Odom Jr. (Hamilton), Sandra Oh (Killing Eve), Jeremy Pope (The Ranger), Billy Porter (Like a Boss), Issa Rae (Um Crime Para Dois), Cynthia Erivo (Harriet), Uzo Aduba (Orange is the New Black), Andre Holland (Moonlight: Sob a Luz do Luar) e Danielle Brooks (Orange is the New Black), assinaram a carta como “The Ground We Stand On” (em português, “o lugar que ocupamos”), intitulada “Wee See You, White American Theatre”, em português “Nós Vemos Você, Teatro Branco Americano”.

A assinatura faz referência a uma peça de August Wilson baseada em seu livro de 1996, The Ground on Which I Stand, que foi um apelo literário aos afro-americanos para desafiar as estruturas racistas, retomando sua cultura e defendendo que suas narrativas sejam tão importantes e vistas quanto o arcabouço literário branco.

“Nós estamos vendo. Nós sempre vimos. Nós vimos você fingir que nos vê”, começa o documento. “Nós assistimos você não-desafiando o privilégio branco, nos convidando para participar do próprio racismo e patriarcado que vive em seu corpo, enquanto nós protestamos contra você nos palcos […] Nós vimos vocês amplificarem nossas vozes quando somos apoiados pela imprensa, mas recusar defender nossa estética quando não somos, deixando nosso modo de vida ser destruído por uma cultura monolítica e racista”.

A carta denuncia o racismo no teatro, com muitos líderes programando peças e musicais liderados por pessoas brancas em toda parte, recusando-se a dar espaço para os grupos BIPOC [pessoas negras, indígenas e não-caucasianas], deixando de dizer “anti-racismo” em conversas com os conselhos e escolhendo o reforço de privilégios branco em detrimento da segurança de pessoas negras.

A carta ainda acusa a indústria do teatro de usar negros e negras para aparecer em seus eventos, mas que se recusa a defender efetivamente sua luta.

“Vimos você usar nossos rostos BIPOC em seus panfletos, pedindo-nos para educadamente aparecer em suas festas, conversas, painéis, reuniões do conselho e jantares de doadores, em salas cheias de rostos brancos, sem estarem disposto a defender a santidade de nossos corpos”. 

A carta aberta na íntegra, assim como a lista completa de nomes envolvidos, pode ser conferida no site We See You, White American Theater.


O movimento vem de um contexto mundial de lutas contra o racismo iniciadas após o assassinato de George Floyd, um homem negro de 46 anos, que morreu depois que um policial branco apoiou o joelho em seu pescoço por mais de oito minutos na cidade de Minneapolis, em 25 de maio de 2020. A ação foi filmada e o vídeo se espalhou rapidamente pelas redes sociais. A brutalidade da ação gerou uma onda de protestos ao redor do mundo, inclusive no Brasil.


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