Casamento à Indiana: Motivos para ver!

Casamento à Indiana: Motivos para ver!
Netflix/Divulgação

Ou não…

A Netflix definitivamente tem ocupado o posto de rainha dos realities. A plataforma produz programas para todos os gostos, desde conteúdos sobre culinária, casamento, construção de casas pequenas até casamentos que fogem um pouco dos moldes ocidentais. Sim, estamos falando de Casamento à Indiana.

A série acompanha Sima Taparia, uma casamenteira indiana e dona de uma agência que orienta clientes que estão em busca de um casamento arranjado e mostra um pouco dessa tradição nos dias de hoje.

Os encontros são feitos no céu e Deus me deu o trabalho de torná-los bem-sucedidos na Terra“, diz Taparia, que afirma ser “a melhor casamenteira de Mumbai”. No programa, ela viaja entre Delhi, Mumbai e várias cidades americanas para encontrar noivas e noivos em potencial para seus clientes indianos ricos que estão à procura de um parceiro (ou parceira) para a vida toda.

Casamento à Indiana se propõe a mostrar um pouco da cultura que envolve os casamentos no país, mas ao mesmo tempo procura atualizar seu olhar sobre temas muito tradicionais para este povo. Envolta em polêmicas e questionamentos a respeito da veracidade dos fatos e encontros apresentados, nós acabamos nos decepcionando com comentários misóginos, casteísmo e vários outros tipos de preconceitos engessantes que tornam a série (que tem um potencial imenso de ser um entretenimento interessante) em uma experiência muitas vezes desconfortável – para dizer o mínimo.

Ok, estamos aqui para dar para vocês motivos para assistir a série. Então, vamos continuar.

A casamenteira conta que conversa “com a menina ou o menino e avalia sua natureza”, visita duas casas para avaliar o estilo de vida de cada um , solicita os critérios e preferências de casa cliente para seguir sua busca pelo “met ideal”. A série mostra, principalmente, pessoas indianas-americanas, onde homens e mulheres que têm em torno de 30 anos já utilizam outros meios de relacionamento, como o Tinder, Bumble e etc, mas agora decidem dar uma chance ao “matchmaking” tradicional para ver se isso os ajuda a encontrar o amor.

O primeiro encontro de um possível casal ocorre, na maioria dos casos, na casa de um deles com os pais e parentes mais próximos de ambos porque, assim como diz Taparia, “na Índia, os casamentos são entre duas famílias e as famílias têm sua reputação e milhões de dólares em jogo”.

Conforme avançamos nos episódios, vemos que o trabalho da casamenteira vai muito além de apenas orientação. Ela, junto com os pais, principalmente as mães de homens jovens, estão no comando da busca, insistindo em uma noiva que seja “alta e adequada” de uma “boa família” e que pertença à mesma casta. Assim, Taparia busca em seu “banco de dados” alguém que se adeque a cada um dos clientes.

Os casamentos arranjados são comuns na Índia e, apesar de o número de casais que se conhecem e se casam por amor estar crescendo, especialmente nas áreas mais urbanas, 90% de todos os casamentos no país ainda são arranjados.

Tradicionalmente, o encontro e arranjo de duas pessoas é feito pelos pais da família, parentes e tias do bairro, que também vasculham colunas matrimoniais dos jornais para encontrar um par adequado para os filhos. Contudo, ao longo dos anos, essa ocupação se tornou uma profissão e centenas de casamenteiros e sites matrimoniais começaram a surgir para auxiliar na jornada de busca pelo parceiro ideal.

Em Casamento à Indiana, o que surpreende é que vários indianos-americanos ricos, bem-sucedidos e independentes de suas famílias estão dispostos a tentar “métodos antigos” e confiar na sabedoria de alguém como a “tia Sima” para encontrar um parceiro. Além disso, muitos deles vêm com longas listas que incluem preferências de castas e práticas religiosas como se estivessem indo à uma loja de roupas escolher uma blusa ideal para o inverno.

A jornalista e crítica de cinema Anna Vetticad, que também é indiana, contou à BBC que como alguém que não vê o casamento como parte essencial da vida “assistia o Matchmaking indiano como um estranho olhando para um mundo alienígena”. De acordo com ela, “os casamentos arranjados são uma versão indiana prática do jogo de namoro no Ocidente e, nessa medida, esse programa pode ser educativo, pois não sugere uma comparação que indique que uma prática é mais moderna que a outra”.

Anna ainda descreve a organização indiana para os encontros como “ocasionalmente perspicaz” e diz que “algumas partes são hilárias porque os clientes de Taparia são muito carismáticos e ela mesma não tem consciência da sua própria mentalidade regressiva“. No entanto, a crítica indiana conclui que a ausência de ressalvas torna Casamento à Indiana problemático no geral.

Taparia descreve o casamento como uma obrigação familiar, insistindo que “os pais sabem mais a respeito do que é melhor para seus filhos e devem orientá-los“. Ela consulta astrólogos e até mesmo um leitor de rostos para saber se um determinado encontro entre duas pessoas daria certo ou não. Porém, a maneira como ela encara seus clientes, principalmente mulheres independentes, como pessoas teimosas e que precisam ser “flexíveis” e “se ajustar” caso queiram encontrar um companheiro. Frequentemente, ela também comenta sobre a aparência daqueles que estão à procura de alguém e mesmo de quem está “disponível para ser servido”, incluindo um caso em que descreve uma mulher como “não fotogênica” e muitos outros.

A mãe de um dos homens que estão no programa, conta que recebeu muitas propostas para o filho, mas rejeito várias meninas porque “não eram bem educadas” ou “sua altura não era adequada”. Um outro homem rico em busca de noivas revela que rejeitou 150 mulheres. Algo que incomoda é que Casamento à Indiana não questiona esses valores preconceituosos que ferem profundamente as pessoas, mas como alguns apontam sobre a série, ela funciona como um espelho da sociedade – um lembrete perturbador de patriarcado, misoginia, casteísmo e questões de raça.

Devaiah Bopanna, um escritor indiano, apontou em seu Twitter que “o programa é problemático porque a realidade é problemática e este é um reality show“.


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