La Casa de Papel – Parte 4 | Crítica

Crítica da Parte 4 de La Casa de Papel
Netflix/Divulgação

Série começa lenta, segue lenta e … … termina e… nada acontece

[Alô! Alô! Este texto contém spoilers da parte 4 de La Casa de Papel!]

La Casa de Papel retorna depois de um terceiro ano agitado. O Professor (Álvaro Morte) precisa lidar com o desaparecimento de Raquel/Lisboa (Itziar Ituño) e o grupo precisa salvar Nairóbi (Alba Flores), que levou um tiro no final do último ano, ao mesmo tempo em que aprende a lidar com a disputa de poder dentro da equipe. A quarta temporada começa cheia de expectativas, mas seu início é mais lento do que esperado.

Os dois primeiros episódios poderiam ser resumidos em apenas um, uma vez que todos esses problemas citados são resolvidos de uma maneira bem rápida. A série enrola para mostrar coisas que já estão resolvidas e a história parece ficar travada de início. A única parte positiva desse período fica por conta da relação do Professor com Marsella (Luka Peros). Até então, o comandante do roubo sempre era mostrado sozinho ou ao lado de Lisboa, uma pessoa tão genial quanto ele. Ver como o Professor lida com um homem mais brucutu e simples foi um acerto e a química entre os dois atores já se provou como uma das mais interessantes do seriado.

No entanto, o famoso plano muito bem arquitetado por Berlim não se mostra tão perfeito assim. Vários imprevistos ocorrem por puro descuido e despreparo da equipe que ficou “treinando” por meses? Tudo bem, tudo bem. Entendemos que Rio não conseguiu parar Gandía (José Manuel Poga) por conta dos traumas sofridos durante a tortura, mas não conseguimos deixar de ficar nos perguntando por quê ninguém da equipe se importou com o garoto a ponto de mantê-lo afastado do estresse de cuidar dos reféns. E, ainda, por quê Palermo (Rodrigo de la Serna) ficou junto com todo mundo mesmo a equipe (e o professor!) tendo conhecimento de seu temperamento duvidoso?

A única resposta para essas perguntas é: porque eles precisavam estar lá para que a narrativa ocorresse da maneira que os roteiristas desejavam, é simplesmente um mecanismo narrativo com justificativas rasas.

A temporada começa a caminhar a partir do terceiro episódio, quando Gandía, por influência de Palermo, consegue se soltar das algemas que o prendem e, então, se torna uma espécie de caçador dos ladrões e se torna o grande obstáculo a ser batido nesta parte 4. Inclusive ele é responsável por uma das mortes mais chocantes de toda a série.

Porém, precisamos dizer: passar várias temporadas construindo uma personagem feminina tão forte e tão bem fundamentada só para depois tirá-la de cena, é cruel e, infelizmente, esperado. A morte de Nairóbi (Alba Flores) serviu de impulso narrativo para o desenvolvimento da trama. E são sempre as mulheres a serem sacrificadas, não para terem seus próprios arcos de história concluídos, mas para fazer avançar outros personagens, normalmente, masculinos. E nós estamos cansadas disso.

As personagens femininas de La Casa de Papel parecem não conseguir progredir não importa todos os obstáculos que elas atravessaram. Tóquio (Úrsula Corberó) está presa em um looping de egoísmo e inconsequência, Estocolmo (Esther Acebo) começa como uma refém submissa aos desejos de Arturo (Enrique Arce) e passa a satisfazer os desejos de Denver (Jaime Lorente), até mesmo Lisboa encontra-se presa em antigos pesadelos.

A Inspetora Sierra (Najwa Nimri) até tenta segurar as pontas e mostrar um lado mais independente e crescente, mas acabamos caindo no velho clichê da girlboss com problemas pessoas profundamente mal resolvidos e encontra no trabalho uma válvula de escape.

No final das contas, La Casa de Papel está longe de resolver todos os seus problemas e acabou deixando mais perguntas do que respostas.

Sobre a discussão das mulheres em narrativas como esta, recomendo um vídeo que a Mikannn fez comentando a morte da Viúva Negra em Vingadores: Ultimato e um termo bastante utilizado na ficção, Women in Refrigerator.


La Casa de Papel

(2017 – )

Criado por: Álex Pina

Duração: 4 temporadas


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