Locke & Key é uma versão deliciosamente sombria da HQ

Locke & Key é uma versão deliciosamente sombria da HQ
Netflix/Divulgação

Netflix acerta em adaptação dos quadrinhos Lock & Key

Lock & Key, HQ de 2008 criada por Joe Hill e Gabriel Rodríguez, começa com uma cena sangrenta. A história inicia com o assassinato de Rendell Locke e a primeira edição alterna entre esse evento aterrorizante e suas consequências emocionais. Vemos a família Locke sofrendo com o funeral de Rendell e a decisão da viúva Nina enviar cada um de seus filhos para estudar em um canto do país, enquanto periodicamente relembra o terrível assassinato, apenas para levar para casa o trauma de tudo isso.

A nova adaptação da Netflix de Locke & Key é muito menos explícita. No geral, o programa – escrito e produzido por Carlton Cuse (Lost, Bates Motel), Meredith Averill (A Maldição da Residência Hill) e Aron Eli Coleite (Heroes) – parece voltado para um público mais jovem do que seu material original, atenuando o violência e horror e direcionando a história para os elementos mais fantásticos. O resultado é mais próximo de O Mundo Sombrio de Sabrina do que de Stephen King. A essência dos quadrinhos ainda está presente em temas como trauma, perda e auto-exploração, mas com uma mão mais leve e uma corrente assustadora correndo por toda parte.

Após a morte de Rendell, Nina (Darby Stanchfield) e os três filhos, Bode (Jackson Robert Scott), Kinsey (Emilia Jones) e Tyler (Connor Jessup), se mudam para Keyhouse, a propriedade misteriosa e extensa da família Locke. Enquanto sua mãe enterra sua dor nas reformas de casas e seus irmãos se adaptam à nova escola, o filho mais novo de Locke, Bode, caminha pelos segredos da casa. Primeiro, existem as chaves mágicas que destrancam vários poderes. Depois, há a mulher estranha presa em um poço na propriedade tentando escapar e recolher essas chaves. A casa tem muitas coisas acontecendo.

Netflix/Divulgação

O primeiro e o segundo episódio são centrados em Bode, mas o programa buscar equilibrar as coisas e dar espaço para cada irmão ter um arco completo explorando seu próprio relacionamento com a casa e sua magia. E, embora Bode seja uma personagem incrível, o programa definitivamente ganha força quando começa a espalhar sua atenção pelo resto do elenco.

O ponto alto da série, com toda a certeza, são as referências. Keyhouse é a cidade de Matheson, referência às histórias de fantasia/ficção científica/horror do escritor Richard Matheson (era Lovecraft na HQ, e a mudança realmente reflete as diferenças de tom), e a exploração da casa por Bode é basicamente uma longa homenagem aO Iluminado (que é uma bela homenagem, já que King é o pai de Joe Hill, o escritor dos quadrinhos Lock & Key).

As referências são engraçadas, mas é muito legal vê-las desaparecer a medida que a série vai ganhando autonomia e independência, porque o programa em si é mais do que suficiente para se sustentar por si só, mesmo que nem sempre pareça saber para onde está caminhando. Há tanto mistério e conflito expostos ao longo de dez episódios que acabamos com muitas coisas acumuladas, deixando o final severamente sobrecarregado, cheio de reviravoltas e grandes revelações para uma única temporada.

Ainda assim, esperamos que tenha uma segunda temporada. A primeira foi muito divertida (diversão sombria e macabra, claro!) e seria bom ver para onde vai, uma vez que agora a narrativa está direcionada. Nós lemos apenas o primeiro arco dos quadrinhos e, embora o programa vá muito além disso e tenha muitas liberdades para reorganizar a cronologia dos livros, é possível que ainda haja muito material para brincar, além de uma base sólida para novas ideias se fundarem.


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