Riverdale 4×08 | Sessões de terapia e mágoas (mal) resolvidas

Riverdale 4x08: Sessões de terapia e mágoas
CW/Divulgação

Antes de falar qualquer coisa sobre esse episódio, preciso dizer que estou amando o estilo noir estão dando para Riverdale. Por mais que a gente esteja falando de um contexto adolescente, os sentimentos, traumas e mistérios construídos ali são muito complexos de se enfrentar, por isso, estilo ‘detetivesco’ dá um tom mais “sério” para a série.

Agora, vamos ao episódio. Descobrimos algo que precisávamos, mas não sabíamos: tudo o que esses adolescentes demandavam enquanto lutavam contra o crime, conversavam com cadáveres e desativavam bombas, era uma boa terapia. Tudo bem que vimos Sra. Burble (Gina Torres), a conselheira da escola, ignorar alguns crimes e situações que fariam com que estes adolescentes fossem tirados de seus pais no mundo real.

Devo dizer que gosto desse episódio por diversas razões. Primeiro, é muito legal quando um programa reconhece suas contradições e o quão absurdo é. Foi exatamente o que aconteceu quando cada um dos nossos personagens recebeu uma espécie de lista de coisas que deram errado desde o início da série. É como se todo o sofrimento pelo qual eles passaram finalmente foi levado à sério. Segundo, porque parece que o programa está finalmente sinalizando para a finalização de alguns enredos que se arrastam há um bom tempo já.

Vamos analisar caso a caso.

Caso nº 65b: Elizabeth Cooper e Alice Smith

Logo no início do episódio, Alice descobre que Betty não entrou em Yale e que ela está tomando anticoncepcionais. Betty decide que precisa conversar com a Sra. Burble sobre o controle excessivo que sua mão quer exercer sobre ela, mesmo depois de praticamente ter abandonado a filha e doado todas as economias da faculdade. Alice aparece no início da sessão e acaba participando também. Betty despeja todos os ressentimentos que guardou para si até então: Alice estava em um culto, ajudava em uma investigação do FBI, escondeu a existência de seu irmão, Betty possui o gene psicopata e não sabe como lidar com isso, Polly está em um centro psiquiátrico e tudo o que preocupa Alice é o fato de Betty estar iniciando sua vida sexual (com responsabilidade, diga-se de passagem!). A Sra. Burble não vacila e diz para Alice que ela tem medo de que Betty cresça e a deixe.

Quando a Sra. Burble descobre que Alice lê o diário da filha, fica claro de que lado ela está. Mas a psicóloga também é rápida em ver as motivações de Alice: se ela pode controlar Betty, ela pode impedir que Betty cresce, nem que seja só mais um pouco. Alice já perdeu dois filhos e não quer perder Betty. Betty pergunta por que sua mãe não pode gastar mais tempo transferindo esses sentimentos para Polly que, aparentemente, precisa mais. Então, Alice exclama: “Eu te amo mais! Eu te amo demais!“. Ok, parece que os pais sempre têm seu filho favorito afinal de contas.

Mais tarde, quando Betty volta para casa naquela noite, ela encontra um cheque com o valor do dinheiro da faculdade sendo devolvido para ela. Betty avisa sua mãe: “eu também te amo muito, mãe”. Aqui entre nós, Alice é a única família que Betty possui e elas precisam começar a resolver o turbilhão de acontecimentos entre elas.

Caso nº 70: Archibald Andrews

Archie não se inscreveu em nenhuma faculdade. E, ainda que ele afirme que isso aconteceu porque ele precisa continuar o legado do pai e proteger a cidade, Sra. Burble leva menos de 30 segundos para descobrir que ele é uma espécie de vigilante de Riverdale e faz isso mas lidar com a raiva e esconder seu luto.

Em um avanço repentino, Archie reconhece a raiva que possui, mas como ele pode não sentir raiva depois das coisas que passou com seu pai, seus amigos e o centro comunitário? “Eu me machuco o tempo todo”, ele diz, “Tudo o que eu quero fazer é garantir que ninguém mais se machuque”.

Embora eu ache que esse enredo de vigilante acabou ficando bem maçante para o Archie, essas cenas com a psicóloga deram uma dimensão interessante para todo o contexto por trás disso. Agora, ele vai precisar lidar com essa raiva e ressentimento de uma forma que não seja autodestrutiva.

Sra. Burble identifica o comportamento dele como um vício e sugere que ele encontre uma forma de tratar isso sem colocar a própria vida e a de outras pessoas em risco. No episódio anterior, vimos a mãe de Dodger dizer a Archie que ele possui um complexo de herói e isso é verdade. Todas as decisões tomadas por ele foram estúpidas, não levaram a lugar nenhum e ainda colocaram a vida de seus amigos e familiares em risco. Todos ao redor de Archie estão dispostos a comprar suas brigas independente do motivo, mas parece que a consciência disso fará com que ele mude o rumo de suas decisões.

Então, Archie vai para casa, avisa sua mãe que está se mudando para o centro comunitário até que as coisas estejam resolvidas e instala uma linha direta de denúncias lá para que as pessoas que não se sentem confortáveis em ligar para a polícia tenham onde recorrer (sim, pedir ajuda para um adolescente). Ele joga sua máscara de vigilante no cesto do lixo. É um momento real, parece que as coisas estão seguindo um rumo mais coerente com a realidade… Quando ele recebe a primeira ligação na linha direta, imediatamente recupera sua más, pega seu bastão de baseball e tudo está arruinado de novo.

Caso nº 72: Cheryl Blossom

O diretor Honey chama Cheryl para conversar por conta de suas 26 faltas recentes e notifica que um adulto a substituirá no comando das líderes de torcida. Em seguida, ele envia Cheryl para a Sra. Burble dar seu veredito.

Gostaria de ressaltar que nesse encontro Cheryl afirmou para o diretor Honey, um adulto: “Sofri numerosas perdas na minha família. Minha mãe está desaparecida, estou crianças duas crianças gêmeas e sou a única cuidadora da minha avó”. Este adulto responsável por centenas de adolescentes nem se encolheu frente a esses fatos. NÃO PARECE NORMAL.

(Ok, desabafo, feito).

A Sra. Burble é ligeiramente mais últi (embora, ninguém tenha chamado o serviço de proteção à criança). Ela rapidamente atenta para o fato de que Jason foi morte, seu pai cometeu suicídio, Cheryl foi sugada para um culto de colheita de órgãos e teve uma experiência de quase morte no rio SweetWater. Por todos esses motivos ela deve estar sobrecarregada e precisa de ajuda. Porém, quando Cheryl admite todos esses sofrimentos, a coisa toda de conversar com o cadáver do irmão parece esconder o fato de que ela possui um cadáver em casa.

A psicóloga se concentra no fato de que Cheryl acredita que seu irmão responde quando ela conversa com ele. Burble garante a ela que Jason não responde, mas que isso parece acontecer porque a garota deseja que aconteça. Quando Cheryl menciona a situação com a assombração de Julian (o irmão gêmeo que ela teria comido ainda na barriga de sua mãe) e Thistlehouse, Burble diz que “fantasmas não existem”. A psicóloga alerta para a hipótese de alguém estar movendo o boneco de Julian para lá e para cá com o intuito de fazer Cheryl acreditar que é louca (será que é sua mãe?). Quanto à ideia de que ela teria comida o irmão ainda enquanto estavam em gestação, existe um teste que informará se ela absorveu ou não o gêmeo.

Tudo isso é legal e tal, mas ainda TEM UM CADÁVER NAQUELA CASA!

No final do episódio, descobrimos que Cheryl não comeu o irmão gêmeo. Então, quem está fazendo o boneco parecer assombrado e a casa parecerem assombrados?

Caso nº75: Verônica Luna

Veronica recebe uma ligação avisando que ela entrou em Harvard! O reitor de admissões diz a ela para agradecer a Hiram pela garrafa de rum que ele enviou. Sim, parece que seu pai está por trás de sua admissão em Harvard e ela nunca vai saber se entraria por conta própria. Então… ela vai até a conselheira, Sra. Burble.

Depois que Veronica reclama de como o pai é terrível e tentou matar seu namorado, a psicóloga alerta para o fato de que a garota ainda mora de bom grado com seus pais. Segundo a Sra. Burble, o que Veronica sente por seu pai não é amor, mas ódio e obsessão. “Você e seu pai são obcecados um pelo outro”, ela diz. Veronica assume que os dois vivem o enredo de uma tragédia grega e no final das contas um precisa “acabar” com o outro, assim como Electra matou seu pai, Agamêmnon, quando ele retornou da Guerra de Troia. (Se quiser saber mais sobre essa e outras tragédias, deixe aqui nos comentários e eu preparo uma série especial só sobre isso!).

A conselheira afirma que é hora de cortar laços com o pai. Para isso, Veronica precisa reconhecer que eles existem e encontrar formas de rompê-los.

Quando Veronica volta para casa, ela informa ao pai que irá acabar com ele. Ela irá derrubá-lo no campo de batalha, nos negócios. E, uma vez feito isso, a “dança de morte” entre os dois terminará para sempre. Além disso, ele está indo para Yale.

Caso nº 77: Forsythe Pendleton Jones III, também conhecido como Jughead

Esta é minha sessão de terapia preferida de todas.

Assim como Archie, Jughead não se inscreveu em nenhuma faculdade ainda e é alertado que precisará conseguir uma carta de recomendação com seus antigos professores de Riverdale. Quando chega na antiga escola, ele recebe uma minissessão com a Sra. Burble, que logo identificação um complexo de perseguição no garoto.

Jughead discute o caso que estava trabalhando com o Sr. Chipping – sério, a velocidade com que essas crianças contam TUDO a um estranho prova que eles precisam conversar com alguém há muito tempo. Sobre seu complexo de perseguição, a conselheira verela que Jug usa suas investigações como uma desculpa para negligenciar sua escrita.

Então, Sra. Burble analisa o que essa investigação de Jughead deve estar causando em Fp. Afinal, Jug está em uma missão para provar que o homem que causou tanto sofrimento a FP foi um herói injustiçado. Ela aconselha que Jug tente se colocar no lugar de seu pai e enxergar o avô através das “lentes” dele. Isso não significa que Jughead vai abandonar sua investigação, mas que pretender compreender mais seu pai. Quando FP chega em casa naquela noite, Jug aproveita para agradecer por todos os esforços que o pai tem feito e lhe dá um abraço que chegou até em mim.


Vamos ao flashforward do final do episódio!

Vemos Fp com Bret Donna na delegacia, os dois garotos identificam Veronica, Betty e Archie como “os garotos que vimos matar Jughead”. Então, finalmente, podemos nos sentir aliviados e dizer que nenhum deles foi responsável pela suposta morte de Jug, certo? Porque quem acreditarias no que esses dois dizem?

Ainda resta explicações a respeito da segunda leva de vídeos que todos os moradores de Riverdale receberam.

No geral, eu realmente me animei com este episódio. Ainda mais com esse “olhar para si mesmo” que todas as sessões de terapia proporcionaram. Com isso, a série parece um pouco mais autoconsciente. Eu gostaria que a Sra. Burble ficasse mais um pouco porque seria importante para todos receber algum tipo de acompanhamento.


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