The One: Sci-Fi da Netflix imagina um mundo onde a ciência é capaz de encontrar seu par perfeito

The One: Sci-Fi da Netflix imagina um mundo onde a ciência é capaz de encontrar seu par perfeito
Netflix/Reprodução

The One, da Netflix, possui uma premissa de ficção científica interessantíssima, mas que se perde em meio ao enredo pouco trabalhado.

Imagine só: e se, graças ao trabalho e desenvolvimento da ciência, a sociedade moderna fosse capaz de criar um teste que pode determinar, com 100% de precisão, quem é o seu par romântico perfeito. Chega de encontros ruins, chega de dores de cabeça, ou seja, tudo o que sabemos sobre se apaixonar não seria mais válido.

Sonho ou pesadelo, não há como negar que esta é uma premissa muito interessante para um drama, talvez seja por isso que a temática já tenha sido explorada em outras produções – como a recém lançada Soulmates, que foi ao ar no canal britânico AMC – e pode soar muito como um episódio de Black Mirror.

Bom, mas aqui, vamos falar de The One, da Netflix. 

Ainda que a série não tenha o mesmo peso dramático do clima de Black Mirror, é indiscutível seu êxito em construir uma histórias em várias camadas com um impulso narrativo que é capaz de construir a trama episódio a episódio sem perder o ritmo do suspense.

The One começa com a descoberta de um corpo em um rio e tudo o que conseguimos a seguir são peças para montar o quebra cabeça de como essa morte ocorreu. Conforme os episódios avançam, é possível resolver rapidamente essa questão e logo a trama deixa de nos prender pelo “o que aconteceu” para a ânsia pela solução do mistério de “porque o que aconteceu, de fato, aconteceu”.

Rebecca, interpretada por Hannah Ware é a personagem central desta história e é quem carrega a série até o fim. A interpretação da atriz é incrível em demonstrar o conflito interno, a personalidade repleta de nuances e atitudes tão complexas que beiram os moldes de uma tragédia grega. Rebeca é a criadora da tecnologia responsável por encontrar o par ideal de cada pessoa que decide usar os seus serviços. Uma das primeiras coisas que aprendemos sobre ela é que não se trata apenas da CEO de uma grande empresa, mas também uma cliente feliz com o resultado de seu próprio serviço.

Sim, Rebecca foi a primeira pessoa a testar a combinação ideal, mas já adianto que as coisas não saíram tão bem quanto poderiam para ela. Isso porque o desenvolvimento da tecnologia envolve uma série de acontecimentos que eu vou chamar de ‘tortos’ para não entregar muito da história para você, caso esteja interessado em assistir a série e mergulhar na história até o fim.

O fato é que, por trás do cabelo perfeitamente arrumado, dos terninhos perfeitos, da pose inabalável e da paixão perfeita, se esconde um passado (não tão longe) de escolhas sombrias, distribuídas em flashbacks que muitas vezes beiram o previsível e repetitivo, mas ainda assim ajudam a transformar a personagem principal em uma figura icônica e complexa que acabou perdida em uma história com pontas soltas e um roteiro com soluções precipitadas e simplistas.

Com certeza, há uma versão muito mais agradável de Rebecca em algum lugar do que a que recebemos. Por exemplo, quando ela é confrontada com a informação de que não existe nada maior do que o seu ego e responde friamente afirmando que o ego de ninguém é maior do que seu saldo bancário, nos deparamos com uma linha narrativa de uma personagem que poderíamos amar odiar. Contudo, isso se perde no meio da trama e nós acabamos com a vontade de ver mais a personagem aos moldes de anti-heroínas como Cersei Lannister ou Villanelle.   

The One: Sci-Fi da Netflix imagina um mundo onde a ciência é capaz de encontrar seu par perfeito
Netflix/Divulgação

No restante da trama, os enredos de suporte são essenciais para que a gente possa entender um pouco do tipo de implicação que a tecnologia pode ter no mundo real e na vida das pessoas. Então, nos deparamos com o jornalista Mark (Eric Kofi-Abrefa) e a esposa Hannah (Lois Chimimba), cujo casamento ainda transborda amor, paixão e carinho, até que as dúvidas e curiosidades de Hannah sobre se Mark é realmente seu par de vida, tiram o melhor dela e a deixam em um redemoinho de inseguranças. 

Há também Kate (Zoë Tapper), uma detetive de polícia que está investigando a misteriosa morte ligada a Rebecca e sua empresa, mas que também encerrou seu casamento para encontrar a sua combinação ideal: Sophia Rodriguez (Jana Pérez), uma mulher que vive em outro país. Quando as duas resolvem se encontrar e Sophia vai até Londres e, inesperadamente, sofre um acidente que a coloca inconsciente em uma UTI. Kate se vê em uma situação difícil, mas decide permanecer ao lado de Sophia, fato que trás à tona vários elementos sobre a amada que ela não sabia e se dá conta de que não teve tempo suficiente para conhecê-la.

Não é um elenco particularmente denso, mas suas histórias têm a oportunidade de se desenvolver além dos limites de apenas 45 minutos de narrativa, ao mesmo tempo em que destacam aspectos bons e ruins da nova tecnologia de The One e se conectam, cada um à sua maneira, com a história principal.

O final da temporada é sólido e não se inibe em deixar pontas soltas que nos fazem esperar por uma segunda temporada, mas sem muito entusiasmo. No grande esquema de séries originais da Netflix, The One é uma daquelas que tendem a permanecer mais tempo na nossa memória, apenas graças a premissa de um grande e poderoso “E se…?” ancorado num plano de fundo de ficção científica, mas que nós sabemos que o programa não se prende muito a explorar. 

O veredito é: vale a pena assistir, mas não espere grandes complexidades da trama.

Confira o trailer:


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